segunda-feira, 4 de agosto de 2014

... com ou sem defeito...



Em frente à imensidão do mar
E debaixo de um céu que não é o meu
Pergunto-me afinal quem sou eu...
E de que vale existir e amar
Se afinal o amor não é perfeito
E existir é o primeiro passo para o defeito...

E mantém-se igual o mar
Tingido no horizonte pelo céu,
Salgado pelas lágrimas do meu eu
Que choro só de sentir e pensar
Que o amor afinal (im)perfeito
Não tem para mim qualquer defeito...

E de nada me vale pensar
Quem penso ser eu...
Porque fica igual o céu...
E há-de dançar igual o mar...
E sem saber como ser maior
Há-de crescer (im)perfeito...
... Com ou sem defeito...
Aquilo que sei ser amor.





Ni

domingo, 20 de julho de 2014

Inquietante fragilidade


Inquieta-me a fragilidade
Da minha alma despida
Dos segredos do coração...
É demais a simplicidade
Desta alma nunca escondida
Por ouvir o coração...

Soubesse eu esconder
A dor de algum sentir
E talvez tivesse a certeza
Do sentido do meu ser
Ser de facto existir
Nesta entranhada estranheza.

Inquieta-me ser assim
Tão longe do que sonhei
Tão distante da razão...
Tão dentro de mim...
Tão desfocada do conquistei
Tão perto do coração...






Ni

Só(mente) perdida


Quando a tristeza é maior que a noite
E me acorda dilacerante como uma foice
Que corta a respiração
No suspenso soluçar do coração,
Eu fico só(mente) perdida,
Sem saber da seta que diz "vida"
E que me leva onde sonhei chegar
Com força, vontade e a loucura de ser a amar.








Ni

segunda-feira, 30 de junho de 2014

À procura só de uma razão...


Tu que me ensinas a amar...
Só a sentir, sem pensar,
Desde o profundo do meu ser,
Porque me fazes sofrer,
Num amor nunca pensado,
Só sentido, enamorado...,
Desprezando-me com silêncio
Às perguntas que em tormenta vivencio
Sozinha, no meu coração,
À procura só de uma razão?

O que queres Tu de mim
No amor que criaste sem fim,
Perfeito para sentir,
(In)Digno de existir?

O que falhou neste sonho
(Im)Perfeito e sem tamanho
Se tudo o que sonhou foi amor
E não há nada maior?

Tu que me ensinas a amar,
Só a sentir, sem pensar...
Ensina-me a encontrar
A razão de assim amar.







Ni

terça-feira, 10 de junho de 2014

Fosse eu digna de ser poeta...

Fosse eu digna de ser poeta
E seria o sentir a tinta da caneta
A escrever cada reverso
Na inquietante simplicidade de um verso...

Limitaria a imposição do pensamento,
Modulava tudo entre o (im)perfeito
E dava asas ao coração
Para aprender a voar com o sentimento
Neste espaço de alma contra-feito
Tão livre como a razão.

E assim ia continuar
Entre o tudo e o nada (im)perfeito
A saber que isto é amar...
... Entre o tudo e o nada (im)perfeito.

Fosse eu digna de ser poeta
E riscaria toda a tinta da caneta
Que se atrevesse a escrever
A minha dificuldade de amar e ser.










Ni

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Não devia, mas escrevo...

Não devia, mas escrevo...
Porque não devia..., mas sinto...
E sinto tudo o que escrevo
E nem nas reticências minto...
São silêncios compassados,
São pensamentos escondidos,
São sentimentos pensados...
São sussurros gritados, sentidos...
Troco vírgulas por pontos finais,
Não com o desejo de acabar,
Mas para não escrever mais
Esta pura loucura de amar.







Ni

domingo, 11 de maio de 2014

Palavras escondidas

Há alturas em que as palavras se escondem
Por tempo indeterminado
Como protesto de um vazio disseminado
Do que não escrevem e sentem.

Deixam que o pó assente no sentido
Acentuando o barulho do silêncio
Do que já se (en)cantou sentido
Deixando que só o sorriso fosse silêncio.

Agora, escondidas num recôndito recanto
São quase todas pó...
Que arde com beleza e encanto
Como se tudo fosse amor... só!






Ni