segunda-feira, 6 de março de 2017

Até ao fim...

Sufoca-me o desespero 
Do silêncio em que espero
E assim há-de o tempo passar
Até o fim se afirmar...

Entristece-me este tempo
Que na volta virou contra-tempo
Em que sinto sem poder 
O que sou sem ser...

Derruba-me a força das palavras
Que morrem presas
Até ao fim... 




quinta-feira, 2 de março de 2017

Ficaram as cinzas...



Desfizeram-se as profundas certezas
Incendiaram-se as agitadas incertezas 
E ficaram as cinzas...
... a minha pequena fragilidade...
A minha verdadeira pequenez...
A poeira levantada no silêncio 
Do caminho da livre reclusão... 
E é assim, feita pó de nada,
Que continuo retirada em mim,
Rumo ao fim que será recomeço.



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Ao fundo o fim...

Ao fundo o fim... 
Tão próximo que assusta,
Tão longe que desespera...
Tão certo e desfocado
Como incerto e injusto.
Ao fundo o fim...
Tão meu e sem mim,
Tão pouco meu e comigo...
Tão cheio de tudo
Como vazio...
Ao fundo o fim... 



quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

É preciso ser Natal...




É preciso ter coragem 
De rasgar o tempo 
Como a estrela fez ao céu...
Parar em contratempo,
Preparar o coração 
E esperar...
Esperar ansiosa e tranquila 
Com alegria a palpitar
E o amor para transbordar...
É preciso ter coragem 
De saber viver o tempo
De esperar para ser...
... Natal! 







quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Banalidade de ser

Sou...
A banalidade de um ser
Que existe com o tempo
E com(o) ele passa sozinho
Sem poder voltar a ser...
Sou...
Somente um ser diferente
Não pela conjugação de genes 
Mas pelas mutações do pensamento 
Que danificam o sentir...
Sou...
Assim um ser sem tempo
Para guiar o pensamento 
No treino de sentir
Feliz só por ser
Eu...




terça-feira, 25 de outubro de 2016

Dormes...

Olho-te mesmo a meu lado...
Dormes...
Tranquilo, sereno, profundo...
Respiro, suspiro...
Dormes...
Parado, imóvel, adormecido...
Sussurro, grito...
Dormes...
(In)consciente, (ir)racional, (ar)reactivo...
Reconheço-te, conheço-te...
Amor...
Acordo...
Dormes...





Ni

domingo, 2 de outubro de 2016

Só palavras...




Se as palavras fossem livres
Escreviam-se sozinhas
Sem pensar no que diziam,
Impunham tudo o que sentiam
E sorriam e choravam
Com(o) o amor...

Se as palavras pudessem voar,
Sem ser ao sabor do vento,
Chegavam ao coração
De quem sem ler sentia
A intensidade do silêncio
Com(o) o amor...

Se as palavras fossem minhas
Eu tornava-as livres...
Soltava-as a voar...
Intensas de sentido
Desnudas e sóbrias
Com(o) o amor...





Ni