segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Sinto falta...

É mesmo difícil falar de nós. É estranho. É como se nos atirássemos ao mundo sem rede. É despirmo-nos de uma casca frágil que julgamos proteger-nos.
No bloco riscou-se primeiro o canto da folha e cada início de possível frase. Talvez seja, para além do medo, o desconhecer palavras que não atraiçoem.
Sinto-me estranha. Sabia que em algum momento da vida sentimos falta de alguma coisa e que fazemos tudo para a alcançar. Sabia que há momentos em que apreciamos muito a proximidade de alguém e que o prazer de minutos perto é eterno. E achei que saber sentir tudo isto era bastante para gerir sorrisos tranquilos.
Mas agora sei que se pode sentir falta de algo que não depende do quanto caminhamos… falta de algo que só perto se pode sentir, mas que a voz embargada não sabe pedir… falta de algo que o tempo não acalma e não esquece… falta de algo tão simples que só tem um nome… mimos.


domingo, 24 de fevereiro de 2008

noites dobradas por metades

Com as noites aprendi que não se pede para parar de chorar, porque não há razão alheia mais forte que a força do coração e alma. Mas há segredos que o escuro não ensina e que as estrelas guardam… Ainda não aprendi qual a melhor resposta… As perguntas retóricas não induzem pensamentos, nas deduções encontra-se um ponto fraco e as palavras mais queridas perdem-se no virar de costas para esconder o soluçar que se solta inesperadamente.
Só quem temos no coração nos faz sofrer assim. Por isso, talvez chorar em silêncio seja a melhor solução, esperando que as nossas lágrimas sejam metade das que noutra almofada causam desconforto.


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

poema

Queria escrever um poema,
Que falasse de tudo.
Chamar-lhe mundo
E pintá-lo de palavras.

Comecei por uma quadra,
Mas faltaram logo as cores…
Procurei então o silêncio
E nele ouvia eco.
Sem a cor das palavras,
Nem a calma do silêncio
Escrevi um poema
Só cheio de alma.


terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

talvez loucura

Às vezes acredito que acreditar é perder tempo… outras fazem-me acreditar que perder tempo é não sonhar.
Não sonhar é entregar o mundo à loucura, mas acham-se loucos os que sonham.
O mundo é de todos os loucos que sonham e acreditam que o tempo também se pode sonhar… é um hospício sobrelotado.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O (acumu)lar do tempo

Pedi ao tempo que, só por um dia que fosse, me levasse nas suas asas. Queria perceber porque voa… tão depressa. Ele riu-se, não esperou nem mais um bocadinho, e eu viajei sozinha.
Não sei onde foi o início, mas parti… de mim. Estava no caminho certo. Via vestígios do tempo. O melhor foi descobrir onde ele se acumula… ao vê-lo todo nas saudades.



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Outra vez dia

Há dias que serão sempre presente. São dias que nos oferecem uma nova maneira de olhar.
Hoje poderia descrever todos os passos que dei há um ano, os lugares onde parei, o que pensei… podia desenhar o sabor das lágrimas, o som dos sorrisos diferentes e, garanto, pintaria na perfeição a profundidade dos suspiros. Mas não quero… basta sentir tudo ainda tão parecido e intenso.
Quase que jurava que me lembro de adormecer. Mas o que interessa é que nesse dia dormi estranhamente tranquila…
São dias enormes… que (pre)enchem uma mistura de sentimentos de vida.
São tesouros que até doem, mas que não deixam esquecer a felicidade de receber tanto de tudo, mesmo quando nada se tem para dar.
São, também, dias assim que nos me mostram que não caminho sozinha e que há pessoas a quem agradecer será sempre tão pouco.