sábado, 15 de agosto de 2015

De que vale...?

De que vale escrever de amor
Se o amor não se escreve,
Mal se descreve,
Por ser sempre tão maior?

De que vale escrever sem ser de amor
Se só por amor se escreve,
Se só o amor descreve
Toda a perfeita (im)perfeição do amor?

De que vale escrever amor
Se não for o amor a escrever,
Se não houver amor para descrever
A plenitude do Amor?







Ni

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Só a saudade não anda no mar...

Foge o mar e leva a areia
Como triste alma que vagueia,
Perdida na esperança de encontrar
O sonho em qualquer lugar...

Volta o mar e traz a areia...
Lava os pés de quem anseia
Pegar na alma e fugir
Para onde só o coração possa sentir...

Só a saudade não anda no mar...
Respira-se em cada partícula do ar...
E conjuga-se em todos os tempos do verbo amar.






Ni

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Pequena pequenez... (?)



É a razão que me faz pensar
E arranjar mil formas de retroceder e avançar
Que me inunda em dúvidas que remoem no peito...
E que me abandona nas incertezas que destroem o já (des)feito...

Mas a irracionalidade do Amor,
É em tudo maior...
Descontrola os limites da razão
E arranja desculpas só do coração...

E no ténue limite de (ir)racionalidade 
O meu coração se pergunta "quem és?"...
Na dúvida entre o Amor, a razão, a loucura e a verdade
É preciso distinguir o ser pequena e frágil da pequenez...





terça-feira, 26 de maio de 2015

Encantada realidade...

O amor é a prisão da liberdade...
Prende-nos a sonhos irreais,
Dá-nos asas para voos desiguais...
E torna tudo isto verdade!

O amor é a excepção da razão...
Calcula o valor do limite do sentimento,
Resolve problemas infindáveis do pensamento...
E tudo isto só com o coração.

O amor é a razão da liberdade...
Justifica o pensar e o sentir,
Reiniventa-se na essência de existir...
E tudo isto numa encantada realidade.





Ni

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Poema tão (pouco) meu...


Procuro-me nas palavras escritas,
Talvez nunca ditas...
Tento ler-me nas linhas
(E entrelinhas...)
Que sonho ler
Por nunca as ter...
Procuro segredos de mim,
Porque mesmo antes do fim,
Eu (não) sei que vai existir
A razão de assim sentir:
Eu, inteira, em cada pedaço
Seguro só pelo entrelaço
Dos versos
Com os reversos
De um poema tão (pouco) meu...







Ni

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Deus super-herói


Fui à missa. Até ajudei na animação da celebração. Toquei guitarra e acho que não me enganei vez nenhuma. Acho... Não garanto. Não me lembro. Fui à missa, mas não ouvi nada... Não sei quais foram as leituras, não sei o que disse o padre. Não sei...! Estava a pensar que às vezes, tantas vezes..., não pertenço ali..., não sou (aquela) Igreja.
Pensava sozinha... julgava eu.
Pensava que o Deus em que acredito (e que acredita em mim?) não é um deus que castiga, que espera promessas em troca de favores, que impõe regras e frases feitas... O Deus em que acredito (e que acredita em mim?) é diferente. Não espera que erre, mas se errar Ele perdoa. Não espera promessas, mas vive em gestos concretos e sorrisos fáceis. Não me dita o que dizer, mas ensina-me a sentir... e a pensar!
Pensava no Deus todo poderoso, a quem tantas vezes imagino, como criança, com uma capa de super-herói..., a correr de Vida em Vida, a tocar momentos, a salvar o Amor eterno.
Pensava e percebi este Deus todo poderoso naquele olhar que cativa, nos braços abertos que acolhem, na ternura do tocar, na subtileza de pertencer, no perdão irracional, no ser sem impor, no Amor desmedido e incondicional.
Pensava que todo o poder da fé é acreditar e ser feliz nesta história do Deus super-herói, com ou sem capa, em que todos somos personagens principais.







Ni

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Espécie de vazio




Sinto uma espécie de vazio
Que não é bem um espaço...
Acho que é de um abraço
Por dar num momento frio.

Sinto-me praticamente sem ser
Personagem de uma história por existir...
Sonho sonhos a acontecer,
Esqueço-me só de sentir...

Às vezes dou por mim a pensar
Que se fosse uma coisa qualquer
Talvez fosse um poema escrito sem querer...,
(Re)Versos de pensamento(s) a cair devagar...

Se eu fosse sem ser eu
Ter-me-ia inteira por acabar...,
Vaguearia um olhar sem céu...,
Seria uma terra sem (a)mar.







Ni