quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Dia da visita

Para mim foi hoje o "dia da visita". Não pude no dia proposto, mas decidi dar ao desafio a longevidade que merece... e deixei que aquele "hoje" fosse também ainda hoje.
Entrei, numa das enfermarias que tantas vezes percorri, mas, desta vez sem bata, sem estetoscópio... Senti-me logo aí desprotegida, sem a ciência a mascarar palavras e o sentir. Ainda assim arrisquei. Conhecia o significado de portas não entreabertas, mas sim, semi-fechadas..., que guardam o silêncio, a solidão e o sofrimento e, tantas vezes, o mau prognóstico.
Entrei, devagar. Perguntei se podia, sem saber quem estava e se haveria resposta. Uma voz que a dor destorcia, disse, tão depressa quanto arrastada: "Oh meu Deus... obrigada! Eu sabia que viria ver-me."
Arrepiei-me.
Aquela voz que não estava a conhecer fez-se ouvir cá dentro. Não era a primeira vez...
Em passos pequenos fui entrando... Aquele rosto, que já conheci envelhecido, doente, mas confiante da Vida, estava ainda mais marcado por cada uma destas coisas...
Nunca imaginei. As "contas" da ciência estavam erradas...
Mas estava ali..., num fio quase invisível de vida.
"Eu sabia que vinha ver-me..."
Disse-lhe que foi coincidência, que hoje tinha destinado um bocadinho do meu tempo para visitar alguém e que não sabia que ali estava...
E num longo e esforçado falar, cada vez mais baixo , mas com um arrepiante sorriso cada vez mais forte, disse-me: "Em Deus não há coincidências, há milagres e coisas bonitas a acontecer.
...
Eu sabia que viria ver-me. Obrigada.
Continue...
...
Se puder, fique mais um bocadinho..."
E fiquei... até a Vida (re)começar (?).








Às vezes, não percebo mesmo nada dos planos de Deus...


Ni

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Mesmo sem jeito...

Os dias passam...
E eu sinto saudades de escrever...
Sei que as palavras não fugiram,
Porque as guardo no coração,
Mas, hoje, mesmo assim,
Com este jeito tão imperfeito,
Não consegui contê-las só em mim
E arrisco dizer,
Com receio do efeito:
Gosto tanto que não sei dizer...
Amo (mesmo sem jeito)!





Ni

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Gaivotas de sonho(s)

Sentei-me, parei..., deixei o sol beijar a alma, e o sentir escreveu-se assim...



Pairam as gaivotas sobre a ria
Numa dança de admirar,
Falam como quem canta
Livres do medo de desafinar...
Com(o) elas voa o meu sonho
Alto, a flutuar sobre a ria,
Neste recanto que encanta...,
Paira livre, leve, solto...,
Neste grito sem medo,
Neste silêncio, em segredo,
Voa... Voo...
Vou no sonho de sonhar
Continuar feliz só por amar.






Ni

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Obviamente, "Cão"!

Entrou a chorar. Compreendi depois de duas vacinas. Vinha de mão dada com o mimo da mãe e ao colo trazia a amizade incondicional do seu cão. Era um peluche..., mas só eu é que via assim.
Perguntei àquele menino como se chamava aquele inseparável amigo, que secava as lágrimas, segurava a chupeta e limpava o nariz. Obviamente, "Cão"!
O "Cão" consolou o menino, enquanto eu disfarçava o inevitável seguir da consulta, com as primeiras perguntas. ... Mas o pegar no estetoscópio ameaçou uma tempestade de lágrimas e gritos que a mãe disse conhecer.
Pois bem, o "Cão" passou a ser também o meu melhor amigo. Auscultei o "Cão" (e o "Ruca" da camisola), vi-lhe os ouvidos e garganta, fiz-lhe "cócegas na barriga"... Enfim, sorte a minha em o "Cão" não se queixar. Consegui, nesta espécie de duas consultas, que aquele menino pela primeira vez não chorasse.
No fim, antes de sair a correr com as suas sapatilhas do "Faísca Mcqueen", consegui que os dois me dissessem adeus e até um beijinho, primeiro, claro, do "Cão" e só depois do pequenino.





Ni

domingo, 20 de janeiro de 2013

Estou a aprender a amar...

Aprendo cada dia a sentir
Que o tempo passa como eterna novidade
E que leva e traz a saudade
Sem dar espaço à razão para existir...

Aprendo que o coração sente a distância
Como a dor intratável da ausência
Do olhar que não se vê,
Da voz que não se ouve,
Da pele que não se toca,
Do abraço que não se troca...,
Do silêncio (en)cantado
Em cada sorriso partilhado.

Aprendo que tenho de aprender
Que nunca mais que isto vou perceber...
E que basta, feliz, aceitar
Que estou a aprender a amar.





Ni

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Cores da imaginação

De olhos fixos no nada
Roubo à luz apagada
Todas as cores da imaginação:
O vermelho-rosa apaixonado do coração...,
O azul-cinzento do céu a pintar o mar...,
O amarelo-laranja do sol a brilhar...,
O lilás-anilado do passarinho que voa e dança...,
O castanho-verde dos montes de esperança...
E é neste branco escuro que pinto
Tudo quanto sinto
Simplesmente Amor...





Ni

domingo, 6 de janeiro de 2013

O tempo anda sempre ao contrário...

O tempo anda sempre ao contrário...
Nunca dança ao som do bater do coração...
Soubesse ao menos ser como a razão:
Calcular cada segundo vazio,
Conhecendo a dor deste frio,
E invertendo o triste resultado
Com grandeza do presente passado
E elevar cada sorriso à eternidade
Sendo a base da potência a felicidade,
Quando o tempo passa sem pedir
Ébrio pelo prazer de sentir
Todo o tempo que é Amor.






Ni