sábado, 17 de maio de 2008

Felicidade

Hoje apetece-me falar de felicidade.
É um risco escrever assim quando se pensa triste, mas se há algo que tenho aprendido é como é se torna doloroso contrariar e vencer vontades simples.
Às vezes, acho que a felicidade é parte da vida. É a soma de sorrisos, de gestos, de dias inteiros, de partes de dias, de olhares, de sonhos, de promessas… de conversas e monólogos, de surpresas, de vontades, de toques, de conquistas… É o parar porque se nota um cheiro bom e respirar fundo. É reparar num pequeno presente da vida e agradecer-Lhe. É suspirar, é prender a respiração tranquila num mundo de mimos, fechar os olhos e ver o que se imaginou. É acordar, é não adormecer. É todo o conforto de um bocadinho de colo, é (não) saber explicar a saudade… é ser um abraço porque um abraço é nosso… é ser ridículo porque se sente diferente.
Mas há tudo isto triste…
… Mas a felicidade não é ausência de lágrimas, nem de lágrimas tristes, nem de tristeza… nem de sonhos.
A felicidade somos nós. E nós, às vezes, estamos tristes. Somos nós porque nós somos tudo isto, não numa soma aritmética de parcelas, em que se dividem pessoas, sonhos, dias e realidades.
A felicidade somos nós porque somos perfeitos enquanto Vida.


segunda-feira, 12 de maio de 2008

preciso de Ti, Amigo

Sorri.
Diz-me que estás aqui,
Que comigo és feliz,
Que não precisas de fugir,
Que a distância magoa
E o tempo é injusto.
Abraça-me.
Faz desses braços abraços meus,
Ensina o meu sentir,
Contorna os meus gestos,
Abre a mão e acolhe-me.
Sorri ao abraçar-me,
Fica perto.
Preciso sentir o nosso coração.
Fica em mim, comigo.
Preciso de Ti, Amigo.




quinta-feira, 8 de maio de 2008

gostava talvez assim

Gostava de ser tão diferente.
Fico triste logo com esta frase. Lembro aquela outra que diz que para sermos amados precisamos de nos amar primeiro.
Às vezes pergunto a Deus: porquê assim?
Gostava de ser capaz de tornar a vida mais fácil, de ter na memória aquelas “pedra-borracha” que sobre um assunto o fazem esquecer-se de mim.
Gostava de ter sido projecto de engenheiro velho, autor de muitas pontes que me levassem para o outro lado.
Se pudesse ser pintora de mim mesma, arranjava cores que não lembrassem os outros de perguntas difíceis e a minha presença nunca teria tons cinzentos.
Assim, os meus espelhos sorriam e por mim não haveria tristeza.
Gostava talvez de ser eu, assim, só que maior.


terça-feira, 6 de maio de 2008

Um ano

Há um ano por aqui.


Achei que era mais fácil (d)escrever um pouco de nós, mas nunca tinha pensado que fosse tanto o prazer de todos os dias (mesmo os que passam em silêncio) ver este cantinho recolorido. Acredito que se criaram alguns laços... o que me fez acreditar que há algo de nós que permanece para lá da distância e que nos aproxima em palavras sempre lindas. A vossa presença faz-me crescer.

Obrigada.

domingo, 4 de maio de 2008

Mãe... o teu dia...

Mãe, traí-te ao crescer. Às vezes, sinto que não cresci como sonhaste.
Sentias-te mais segura quando me vias adormecer, quando chorava para ouvires. Gostavas dos meus dias a falar e achaste que nunca me faltariam palavras, que a minha vida seria sempre fácil de contar, que os sentimentos teriam as palavras suficientes para tos descrever e que os pensamentos seguiriam os teus.
Mas cresci diferente… Às vezes, sem palavras.
Aprendi com o teu olhar que as minhas preocupações aumentam em ti e torna-se difícil contar-te os dias tristes. Os teus pensamentos guiaram os meus, dando-lhes asas para voar mais alto, e agora não percebes porque há pontos que vejo diferentes.
Porque és mãe, ensinaste-me o amor sem nunca lhe dares nome… querias que o descobrisse em ti. Foi assim que aprendi a misturar as palavras nos gestos, a não baptizar as coisas, mas, com sentimento, dar-lhes vida.
Porque sei que julgas o silêncio como frio de sentir, peço todos os dias a Deus, que a cada gesto meu, te faça acreditar que gosto de ti.


Há dias de muitos dias… Há dias de vidas inteiras… Mas há vidas inteiras sem um dia.
A vida deu-te um dia, porque todos os dias és vida.
O teu dia, Mãe, é HOJE.


sábado, 3 de maio de 2008

apetecia tocar no mundo

Apetecia ir à praia, apanhar com o vento de frente, sentar-me nas rochas e ver pessoas desconhecidas e crianças a brincar.
Apetecia ir àquela varanda onde temos o mundo nas mãos.