segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Não sou e não quero ser


Se eu fosse poeta
Escrevia como quem arquitecta
Uma casa, arranha-céus ou até uma cidade...
Com todo o pormenor e especificidade...

Mas eu não sei escrever assim...
A (não) saber como é o fim,
Com régua e esquadro a limitar
O que escrevo por ilimitadamente amar.

Não sou e não quero ser
Poeta que arquitecta escrever...
Quero re-escrever sempre melhor
Este livre e imenso amor.









Ni

terça-feira, 29 de outubro de 2013

E agora está ali...


Hoje, ali, onde a vida ganha um sentido diferente e tão especial que é difícil de aceitar..., entrei num quarto, com a porta semi-fechada, com receio do que aquele doente me poderia ou não dizer. Tinha lido o processo... Um caso cinzento muito escuro.
Entrei... Disse "bom dia" e um friozinho demasiado frio arrepiou-me.
...
Lembrava-me daquela cara... Agora mais desgastada pelo tempo, pelo frio da rua, pelo calor do chão..., pela doença..., pela vida.
...
- Olha esta menina. Tinha saudades do seu "bom dia". Agora as pessoas já nem falam...
Fiquei ainda mais inquieta...

Era um senhor que me lembro dos meus primeiros anos de faculdade. Via-o sempre sentado no chão, camisola velha de lã, a acompanhar com o olhar e com a fome a fila das cantinas.
Trazia-lhe, ao sair, pão, fruta..., o que quer que fosse que enganasse a fome.
Sorria-me sempre com um obrigado maior que o desespero.
E agora está ali...
Dizia-me que estava bem. O que eu sei ser mentira... e devo-o ter demonstrado no olhar... E ele respondeu-me: "Nunca estive assim, com gente sempre ao pé, com casa, com cama e comida..."
...
A conversa continuou e no fim ainda me disse: "Abra essa porta, por favor."
Lá dentro uma T-shirt.
Ofereci-lha num Verão em que a camisola de lã não era nada adequada.
Era (quase) tudo o que tinha naquela porta.
Sorri-lhe e disse-lhe que já voltava.
"Agora acredito que Deus sabe o faz." - disse-me certo e calmo.






Ni

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Palavras do coração

Não sei o que escrever
Mas não me apetece parar...
Sinto as palavras a correr,
Algumas a tropeçar...

São palavras do coração
Que existem por sentir...
Nem pensam naquilo que são
Apenas sentem existir...

Escrevo sem saber dizer,
Com tristeza, mas sem dor,
Que o que eu gostava de saber escrever
Era poemas de Amor.





Ni

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Que se tatue em mim a poesia...

Que se tatue em mim a poesia,
Na nudez da tristeza e da alegria,
De quem se escreve por (não) sentir
As entre-linhas de existir.

Que se escrevam as palavras que sussurram,
Que se (ar)risquem as que magoam e gritam,
Que se entranhe a tinta que não mente
De quem escreve apenas o que sente.

Que se decalque em mim a vida
Pela certeza de ser vivida...
Não peço para não doer...
Peço para sentir e ser...
A esperança do dia a acabar,
A luz do amanhã a acordar...
Peço, apenas, um favor...
Que se escreva em mim Amor.






Ni

sábado, 5 de outubro de 2013

Ainda agora ecoa...

Acocorei-me ao Teu lado, como se fosse ao Teu colo.
Na Tua cabeça inclinada de sofrimento reconheci a ternura da Vida...
Olhei-Te na fragilidade de quem não sabe sofrer e senti a força de quem quer viver mais...
Na cumplicidade de desafios que aceitamos sempre juntos, aproveitaste o momento e sussurraste "Segue-Me..."
Ainda agora ecoa... a cada pulsar do coração...





Ni

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Espero por ti...

Espero por ti...
Espero como o dia espera acordar...
Como a noite espera a lua...
Espero de desespero nua,
Pelo sorriso de te (re)encontrar...
Espero por ti...

Espero por ti...
Espero como um rio a correr
Para abraçar o mar...
Espero sem parar...
A adivinhar a magia de te ver...
Espero por ti...

Espero por ti...
Espero como quem quer sentir...
O que não sabe dizer...
Espero arriscar escrever
O conforto de sem pensar sorrir...
Espero por ti...
... Amor...






Ni

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Tão diferente, tão maior...

Tenho um amor que não cabe em mim...
Pinta o mundo com o olhar,
A cada passo faz das ruas um jardim...
Planta flores com as cores de (a)mar
Espalha um perfume sem ter fim.
Inspira cada sorriso...
Sorri a cada suspirar...
E sem mais nada ser preciso,
Reinventa-se a cada instante...
E daquele (en)canto profundo
Cresce forte e importante
Capaz de abraçar o mundo...
E é assim que este amor,
Tão diferente, tão maior...
Nasceu e cresce em mim...
E sem nunca transbordar...,
Porque assim é amar...,
Já não cabe só em mim.






Ni