segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Desassossego

"A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar."


(Fernando Pessoa, in O Livro do Desassossego)


sábado, 13 de outubro de 2007

À beira do... branco

Sentei-me à beira do mundo. Folha em branco na mão...
Foi-me fiel. Voltou assim, comigo.


Aquele não era o meu lugar.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

... mais leve

Chego a casa... sem ninguém. Ligo, como sempre, a televisão... não sei o que dizem... mas tem cor.
Abro as janelas, espreito...
Tiro material da pasta... amanha, já sexta, estará mais leve.
O tempo não pára... não espera por nada mesmo.
Já estava a fazer frio... Fui fechar as janelas. Naquele quarto, quase vazio, a certeza da presença fez-me deitar um pouco. Adormeci.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Todos se perguntam

Eu acredito que
Tu acreditas.
Ela acredita que
Nós existimos.
Vós sabeis se
Eles existem?

domingo, 7 de outubro de 2007

Quero ser...

Quero ser grande!
Nunca foi assim que fiz a composição da escola primária… Já não sei o que respondi na altura… Lembro-me que naquela em que nos perguntavam que animal queríamos ser, eu disse que queria ser um passarinho…
Hoje, talvez dissesse que quero ser grande, para poder, de pés na terra, olhar o céu nos olhos, escrever os sonhos nas nuvens e estar à sua altura… para poder saltar e abraçar o mundo… para chegar ao limite e tratá-lo por “Tu”.
Ser grande, para perceber a simplicidade de viver e viver, simples, a difícil missão de ser feliz…


Afinal, quero ser criança!

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Pedaços de um só


Andam pedaços por aí...
Cabelos castanhos,
Olhos estranhos
Grandes, pequenos, vazios...
Escondem tesouros,
Sonhos perdidos
(Des)encontram-se (a)os poucos.
Sem caminho
Com futuro.
Vão crescendo,
Apertando-se...
Vão sendo sozinhos,
Distantes
Um só
Sentimento.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Um principezinho

Sentei-me onde os pés não tocavam no chão... Não sei passado quanto tempo sentou-se ao meu lado a criança que agora me faz escrever. Não sei o nome. Sei que foram várias as vezes que o vi, que me meti com ele, que, instintivamente, lhe passei a mão pela cabeça (sempre gostei de despentear os miúdos). Perguntou-me se estava triste. Disse-lhe que pensava... Ele rematou: "Eu só penso quando estou triste."
Era pequena demais para aquela conversa, felizmente começou a chover. "Temos de ir para casa."
Não sei o que foi fazer. Talvez coisas da escola. Eu vim ler "O principezinho".


Estas são apenas algumas reflexões de todo o pensamento:


"- Só as crianças é que sabem do que andam à procura - disse o principezinho. - São capazes de perder tempo com uma boneca de trapos que, por isso, passa a ser muito importante para elas. Se alguém lha tira, desatam a chorar...
- Que sorte que as crianças têm! - disse o agulheiro"


"O principezinho sentou-se numa pedra e levantou os olhos para o céu:
- Se calhar, as estrelas só estão iluminadas para que, um dia, cada um de nós possa encontrar a sua."


E o livro acaba assim: "Que grande mistério! Vão ver que, para vocês, que gostam tanto do principezinho como eu, nada no Universo fica na mesma se, algures, não se sabe bem onde, uma ovelha que nós não conhecemos tiver ou não comido uma rosa. ... E nenhuma pessoa grande há-de alguma vez perceber como isso é importante!"