quinta-feira, 20 de setembro de 2007

(Des)espero

Vou ousar falar daquilo que não sei sentir.
Devo ser estranha... tanta gente já escreveu sobre o assunto, parecia fácil e ficou bonito.
Para mim a dificuldade parece estar em explicar o diferente brilho dos olhos de que a vê chegar e depois de quem não a vê partir.
Tudo é estranho... não muda de nome, mas a maneira como se chama. Primeiro, surge cantando depois, sem palavras (ou)vidas, grita-se: Saudade.
Chega ao de leve, toca nas memórias, liberta recentes recordações... Vê-se no sorriso aparentemente sem razão de ser e, talvez por isso, incomparavelmente lindo. É como uma brisa, renova a alma, passa e deixa um suspiro.
É nova, profundamente simples. É transparente... é o brilho bonito do olhar.
Hmmm... como é bom. Vive-se, partilha-se! ...
Mas, às vezes, vai permanecendo e explora-se. E aí, cresce... apodera-se. Tudo muda.


Nasce associada a pessoas e, dentro de mim, procura-as. Acomoda-se no coração. Só ela se sente confortável. O coração manifesta-se em investidas à alma. Acaba-se a tranquilidade. Cada respirar fundo surge aos solavancos, coordenado com a descompassada respiração de quem, à noite, para descansar, vira o lado molhado da almofada para o colchão.
Os sorrisos são escassos, são aqueles que eram antes gargalhadas.
E, porque deixa de ser bom vivê-la talvez se deixe de partilhar...
Os olhos nunca deixaram de ter brilho... Se não brilham de dia, brilham à noite, num olhar desfocado para o céu... onde se lançam perguntas, de onde, triste, não chegam respostas.
Às vezes, irrito-me comigo. Não porque ache que a esperança é a última a morrer, mas porque sinto que é muito mais que esperança.

5 comentários:

Minerva disse...

Ni

Se não sentisses não escrevias um texto destes... MAGNIFICO

Beijo

Rita disse...

Onde te meteste NI? não sei nada de ti há dias. Sei-te "bem" pelo blog. Dá noticias *

anawîm disse...

perdoa a minha ausência.... este coração anda um pouco afastado de tudo, mas parei aqui um pouco para te deixar um sorriso

espero que te contagie, tá? eheh

tens muita vida, alegria e cor dentro de ti, sinto-o... apesar de tudo o que vais escrevendo, sinto isso, não te sei explicar porquê!

Marta disse...

Cara Ni: A verdade é que a esperança é algo estranho. Sinto-a quase sempre relativamente a quase tudo. às vezes penso que é em vão e que somente me faz viver com uma carruagem de sonhos que não serão concretizados... Lembro-me que tinha um professor no 1º ano da univer. que dizia: "Grande vantagem, a esperança é a última a morrer, mas tb morre"
Hoje encontro-me num estado em que não permito a mim mesma sentir esperança... enterro as coisas a toda a força e faço de conta que elas não existem. É a melhor forma que encontro para esquecer e parar de sonhar. Porém só o consigo fazer de vez em quando, porque o querer é mais alto... deixo a tal esperança guiar-me mais uns dias... ando sempre numa roda que tanto anda para a direita como para a esquerda.
Gostei muito do texto, muito bem escrito e com sentimento. Parabéns.

Rui Santiago cssr disse...

Olá!
É uma pena não haver uma opção que dê para comentar com um silêncio...

Mas gostava que entendesses este comentário assim, como uma maneira de te oferecer o meu silêncio. As palavras depois de um texto destes soam-me estranhas, todas!

Obrigado.
SHALOM